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MADALENA
João Alberto
Olhem só que manhã límpida e serena!
Observem o cantar e a revoada de passarinhos!
Seus gorjeios lembram o cantar da morena,
Que há muitos anos abandonou o nosso ninho.
Abandonou tudo, e fugiu em uma noite amena,
A procura de quem lhe desse um cantinho.
Seu cantar, que mais parecia o da seriema,
Lamentando não poder ter mais um carinho.
Hoje, ninguém ouve mais sua triste cantilena.
Tudo se desfez numa aragem, ou num ventinho,
Restando apenas uma lembrança da Madalena.
Nada restou a não ser o cantar dos passarinhos.
Tudo muda, tudo se consome nesta vida pequena.
Madalena deve estar feliz demais em outro ninho.
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